Mauro Henrique: Do McDia Feliz ao Grammy
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A esposa de Mauro Henrique encontrou durante uma mudança de casa uma caixinha com duas coisas dentro: a medalha do Grammy Latino pelo álbum “Depois da Guerra”, com o Oficina G3, e a plaquinha de funcionário do mês do McDonald’s. As duas ficaram guardadas juntas sem querer. Ele contou a história no Papo com Clê, que foi ao ar dia 2, no YouTube.
Mas o ponto principal que a gente traz pra cá é outro: Mauro trocou a exposição constante por uma rotina offline baseada em meditação, leitura e trabalho fora das redes sociais. Ele não as abandona totalmente. Uma equipe administra os conteúdos, que ele apenas aprova. O acesso direto, porém, deixou de existir há anos.
A história já rendeu situações curiosas. Kiko Loureiro, com quem fará algumas apresentações, tentou contato pelo Instagram e só conseguiu resposta depois de chegar ao WhatsApp por outros meios. “Quer falar comigo, é só WhatsApp”, disse Mauro ao canal Papo com Clê.
Em Florianópolis, onde vive com a esposa Carine Bastos, o dia começa cedo e segue um padrão fixo: meditação, alongamento, café e estúdio em casa. À tarde, trabalho contínuo e uma caminhada até a academia, sempre a pé. Ele trata esse deslocamento como parte da rotina de contemplação. À noite, encontros com amigos.
“Quando consigo silenciar a mente, entro num fluxo de serenidade”, afirmou. O hábito se intensificou na pandemia e virou eixo da rotina atual.
A leitura segue a mesma lógica de desaceleração. Antes de qualquer livro, ele pesquisa a vida do autor, o contexto e até como foi sua morte. Lê devagar, sem pressa. Entre as referências, mistura teologia, filosofia e nomes pouco conhecidos como Huberto Rohden, escritor catarinense do século XX praticamente desconhecido do grande público, que ele descobriu por acaso e passou a estudar.
Sobre as redes sociais, a justificativa é prática: tempo. “A gente perde tempo com coisas que não acrescentam nada”, disse. Ele prefere investir esse tempo em leitura, estudo e trabalho.
Mauro diz ter recusado propostas de gravadoras grandes. Sony e Universal chegaram a procurá-lo. Manteve o controle total sobre produção, mixagem e lançamentos. Segue ativo na música em carreira solo, para alguns, mais criativo que Oficina G3, para alegria dos fãs e desespero dos haters.

