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Ajuntamento das Tribos mantém viva cena underground cristã

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura
Pastor Zé Carlos: Ajuntamento das Tribos mantém viva cena underground cristã
Rede Social

Enquanto boa parte dos festivais ligados ao chamado rock cristão ficou pelo caminho, um encontro realizado numa rua íngreme de Alcântara, em São Gonçalo (RJ), continua reunindo a cena underground brasileira. O Ajuntamento das Tribos completa cerca de 30 anos de história e segue reunindo bandas, skatistas, famílias e gente que cresceu nesse ambiente, tudo por conta própria, sem patrocínio, ingresso ou estrutura de igreja-empresa.


zé carlos
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Quem segura essa história é um grupo pequeno. José Carlos, conhecido como Zé Carlos, de 80 anos, evita até ser chamado de pastor fundador. Prefere dizer que é apenas um dos responsáveis pela comunidade. Ao lado dele está Ayrton Moreira, à frente do projeto Skate Colaborativo e diretor técnico da FASERJ (Federação de Skateboard do Estado do Rio de Janeiro), que também assina a curadoria musical do festival há mais de dez anos.


Ayrton Moreira, à frente do projeto Skate Colaborativo e diretor técnico da FASERJ
Arquivo pessoal

O nome nasceu de um evento, não da igreja. A origem está na antiga Comunidade S8, criada nos anos 80 pelo pastor Geremias de Mattos Fontes. Depois da passagem por Trindade e por um sítio em Marambaia, também em São Gonçalo, o aniversário da comunidade virou ponto de encontro da cena alternativa. O público passou a chamar aquilo de Ajuntamento das Tribos. O nome pegou e acabou ficando.

 

Hoje o espaço mantém pista de skate, área para camping, salas de apoio e um festival que chega à 16ª edição. Em 2026, o encontro acontece nos dias 5 e 6 de setembro, com dois palcos reunindo bandas de metal, hardcore e outras vertentes da cena associada ao chamado rock cristão.


Ajuntamento das Tribos
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Entre os nomes já confirmados estão Puritan, do Espírito Santo, Zive, de São Paulo, e For Life, de Niterói. Pelo palco do festival já passaram bandas como Antidemon, Sangue Inocente, Alva e Desertor, além de artistas de sonoridade mais tranquila, como Roberto Diamanso e Arthur Martins, que define seu trabalho como MPB (Música Pentecostal Brasileira).

 

Sem esconder a realidade, Ayrton diz que a cena atravessa um momento difícil. Segundo ele, boa parte das bandas acabou e as que seguem ativas fazem isso "na raça". Zé Carlos não discorda do diagnóstico. Para ele, o underground sempre teve um público próprio e nunca funcionou pela lógica dos grandes eventos. O que critica é transformar essa característica em um discurso de frustração, lamentação ou rebeldia. O Ajuntamento das Tribos nunca teve como objetivo disputar tamanho ou audiência, mas também nunca rejeitou crescer. "A gente fica feliz quando acontece", resume. O importante, afirma, é que o festival exista por convicção, sem medir seu valor pelo número de pessoas presentes nem pela comparação com eventos maiores.


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O festival vai além dos shows. A programação inclui cultos, palestras, oficinas de skate e uma exposição sobre a história do underground cristão brasileiro. A aproximação com os moradores da região aconteceu aos poucos, muito por causa do projeto social de skate gratuito, que hoje atrai dezenas de crianças da comunidade.

 
 
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