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Kleber Lucas: da igreja ao bar — e talvez mais perto das pessoas

  • há 14 minutos
  • 3 min de leitura
Kleber Lucas: da igreja ao bar — e talvez mais perto das pessoas
Reprodução

Assisti a um vídeo sobre Kleber Lucas tocando em um bar. O título era algo como “Kleber Lucas — da igreja ao bar”. O que mais me chamou a atenção, porém, não foi o lugar onde ele estava tocando. Foram os comentários.

 

É curioso — e, para mim, triste — perceber que justamente aqueles que deveriam anunciar a graça são, muitas vezes, os primeiros a apedrejar.

 

Li comentários dando a entender que Kleber teria “perdido” o sucesso de outros tempos, como se o valor de um artista ou de um cristão pudesse ser medido pela quantidade de pessoas que ele consegue reunir. Talvez isso tenha muito a ver com a influência que a teologia da prosperidade exerceu sobre parte do imaginário evangélico: se está lotando, Deus está abençoando; se deixou de lotar, alguma coisa deu errado.

 

Mas será que é assim?

 

Quando penso em Kleber Lucas, duas músicas imediatamente me vêm à cabeça: “Deus Cuida de Mim” e “Aos Pés da Cruz”. São músicas que fizeram parte da minha própria história e que continuam dizendo alguma coisa para mim. Deus Cuida de Mim foi lançada em 1999, e Aos Pés da Cruz, em 2001, um dos trabalhos que consolidaram a carreira de Kleber.

 

Não estou dizendo que Kleber esteja acima de críticas. Pelo contrário.

 

Houve, por exemplo, uma fala dele em um podcast sobre a expressão “alvo mais que a neve” que, na minha opinião, foi um escorregão. Ele poderia ter discutido a questão do colonialismo e da fé de outra maneira, sem estabelecer aquela associação daquela forma.

 

Mas um erro não deveria ser suficiente para invalidar uma pessoa inteira.

 

Se fosse assim, teríamos que reler a Bíblia com uma régua muito mais severa. Davi, por exemplo, que tantos cristãos desejam tomar como referência de homem segundo o coração de Deus, dificilmente seria considerado um “santo” pelos padrões morais contemporâneos.

 

Outra coisa que me incomodou foi ver Kleber Lucas ao lado de Ricardo Gondim e Ed René Kivitz em uma matéria de Instagram intitulada “Pastores de esquerda ‘choram’ por não serem mais chamados para pregar”.

 

Eu considero essa abordagem tendenciosa.

 

E aí vêm os comentários de sempre: “eles serão julgados pelas próprias palavras”, “a igreja está acordando”, “agora estão colhendo o que plantaram”...

 

Mas eu fico pensando: julgados pelas próprias palavras? E nós? E eu? E você?

 

Parece que, para alguns, o Evangelho funciona como uma lupa para enxergar o erro do outro e como um pano para esconder o próprio.

 

O que mais me interessa em Kleber hoje é justamente vê-lo ocupando espaços onde muitos daqueles que o criticam provavelmente não colocariam os pés.

 

Um bar não é uma igreja.

 

Mas também não deixou de ser um lugar onde existem pessoas.

 

E talvez seja justamente aí que esteja uma das coisas mais bonitas do Evangelho de Jesus: ele nunca pareceu muito preocupado em permanecer apenas nos lugares onde os religiosos achavam que Deus deveria estar.

 

Eu não sei se Kleber Lucas está certo em tudo. Não sei se concordo com todas as suas posições. Não preciso concordar.

 

Mas vejo nele alguém que parece estar pacificado consigo mesmo, seguindo sua trajetória e levando sua música e aquilo em que acredita para lugares diferentes.

 

E, sinceramente, eu desejo todo o bem do Senhor para ele — talvez até mais do que desejo para mim mesmo.

 

Porque, no fim, talvez a pergunta não seja se Kleber Lucas saiu da igreja e foi parar no bar.

 

Talvez a pergunta seja: "será que nós, que continuamos dentro da igreja, ainda conseguimos encontrar Jesus quando ele sai conosco pela porta?"


Eduardo Teixeira

 
 
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