Há 10 anos, Resgate cancela show em Anápolis
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Faz exatamente dez anos. O Resgate não foi. E a razão é mais direta do que parece.
A banda, que dispensa apresentações por aqui, cancelou a participação no 2º Festival de Talentos de Anápolis (GO), marcado para 23 de junho de 2016, depois de descobrir que a conta seria paga pela Prefeitura da cidade. O problema: ninguém tinha avisado isso antes.
A nota foi publicada em 10 de junho pela Amplitude A Produções, representante legal da banda na época, e não deixou muita margem para interpretação. "Em nenhum momento fomos informados que o evento seria pago integralmente com verba paga pela Prefeitura", diz o texto. O cancelamento tinha "objetivo de resguardar a imagem da banda".

O festival havia recebido R$ 189 mil do município, conforme publicação no Diário Oficial de Anápolis do dia 3 de junho. O repasse foi para o Conselho de Desenvolvimento de Joanápolis e Região (CDJ), responsável pelo evento, e cobriria toda a estrutura, incluindo os cachês dos artistas convidados. Além do Resgate, estavam na programação Kleber Lucas e Disco Praise.
A notícia virou o principal assunto nos veículos locais e no meio gospel. Não era a primeira vez que a prefeitura era questionada por esses repasses: em março do mesmo ano, segundo o Portal 6, o município teria destinado cerca de R$ 150 mil para entidades ligadas à Assembleia de Deus e à Diocese de Anápolis.
A decisão do Resgate, foi bem recebida por parte do público. No cenário gospel, onde a relação entre fé, dinheiro público e palco costuma gerar pouco atrito, a postura da banda saiu do padrão, assim como suas músicas.
O festival aconteceu mesmo assim, nos dias 23, 24 e 25 de junho.
De lá pra cá, o tema não saiu de pauta. Artistas gospel contratados por prefeituras viraram assunto recorrente na imprensa, entre denúncias de licitação irregular, verbas questionáveis e eventos religiosos bancados com dinheiro público. A mais recente você encontra com um simples clique na barra de pesquisa do Google.




