Soul Factor: banda critica tecnologia com álbum remoto
- 2 de abr.
- 2 min de leitura

Tem uma contradição difícil de ignorar no novo projeto do Soul Factor. A banda brasiliense prepara um álbum questionando os excessos da era digital enquanto grava tudo dentro desse ecossistema: guitarrista em Portugal, baterista em Brasília, cada um no seu quadrado, sem dividir a mesma sala.
“Disfuncional” nasce à distância, conectado pela internet. No meio da engrenagem, o vocalista Daniel Martins concilia a produção com a rotina de trabalho autônomo, entre softwares de áudio e prazos apertados.
É o que conta no podcast Rock Cast, do canal É Rock no YouTube, entre 57min30 e 1h05, ao longo de mais de 1h de conversa.
O álbum aborda temas como fake news, inteligência artificial e o impacto do consumo digital no comportamento. A ideia, segundo o vocalista, é mostrar “as mentiras, o engano e o que a tecnologia faz com as pessoas”.
O primeiro single, “Life to Disgrace” (2024), antecipa o clima: som pesado e produção de Mateus Maia, que também grava o baixo e coordena o trabalho.
Serão dez faixas no total. Quatro já estão prontas. O lançamento deve acontecer ainda este ano pela gravadora americana Vision, o que pode levar o disco primeiro ao exterior antes de chegar ao público brasileiro.
A banda, formada em 1998, pretende viabilizar uma edição nacional (ainda mais no campo da intenção do que da definição) para evitar que interessados dependam de importação. Com as taxas atuais, o custo pesa.
Apesar de o discurso não se deter nos aspectos positivos da tecnologia, “Disfuncional”, diria o advogado do diabo, vira um exemplo disso: um álbum sobre excessos digitais, criado e distribuído dentro desse sistema.
No fim, a provocação fica.



