Parousia: Desertor contextualiza capa e conceito
- Redação SVM

- há 20 horas
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A banda Desertor anunciou o single “Parousia”, com lançamento marcado para 6 de fevereiro, e a capa divulgada na última sexta-feira (16) acaba de ser contextualizada. A arte, aparentemente produzida com Inteligência Artificial, mostra um punk ao centro - moicano verde, corrente na calça e coturno - caminhando tranquilamente com uma cruz presa por correias nas costas, na contramão de uma multidão em estado de pânico. Entre essas figuras, aparecem personagens trajando burca e uma bandeira vermelha trazendo símbolos associados ao comunismo.
O significado? Pipe Bastos (Volmir de Bastos), guitarrista e fundador da banda, publicou um vídeo explicando a escolha estética e o conceito por trás da arte e da composição.
Segundo Bastos, a imagem dialoga com o conceito da música, inspirada em Apocalipse 16:6. Dentro da sua interpretação teológica, o texto é associado à perseguição e ao martírio de cristãos na atualidade. Ele afirma que os elementos visuais remetem a contextos onde esse martírio ocorreria na atualidade, citando países comunistas e países islâmicos. O músico baseou essa leitura em relatórios de organizações missionárias, como a Portas Abertas, e mencionou estimativas frequentemente divulgadas em ambientes religiosos sobre o número anual de cristãos mortos por sua fé - ressaltando que se trata de dados oriundos do meio missionário, e não de consenso acadêmico.
Apesar do teor político presente na discussão, Bastos afirma que o objetivo central da capa é ilustrar o martírio cristão contemporâneo, e não promover disputa partidária. Ele destaca que a escolha dialoga com tradições históricas do punk, hardcore, crossover e thrash metal, gêneros marcados por crítica social e postura contestadora. “O Desertor sempre teve essa pegada”, disse, lembrando que o grupo - fundado em 1995 - nasceu com a proposta de unir protesto, temas bíblicos e comentário social dentro do universo do som pesado.
No vídeo, o músico também antecipou que “Parousia” será o pontapé inicial para um álbum completo previsto ainda para este ano. A promessa, segundo ele, é de inovação sonora sem abrir mão do peso e da agressividade que marcam a trajetória do grupo: um trabalho “bem porrada, bem crossover”. Bastos, que além de guitarrista é pastor na Comunidade Gólgota, em Curitiba, afirmou que a banda continuará mesclando crítica social, cosmovisão cristã e a estética do som pesado.







