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Ron Kenoly, a voz que juntou cores no gospel americano

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    Redação SVM
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura
Ron Kenoly, um dos nomes centrais da música gospel mundial, morreu aos 81 anos
Reprodução/Facebook/Ron Kenoly Ministries (Official)

Ron Kenoly, um dos nomes centrais da música gospel mundial, morreu aos 81 anos enquanto dormia, em casa, nos Estados Unidos. A informação foi confirmada por Kleber Sampaio, diretor de Artes e Adoração da First Orlando, durante uma live no Instagram com o pastor Ramon Torres, do perfil Música Cristã no Brasil. A causa da morte não foi divulgada.

 

Kenoly construiu uma carreira marcada por atravessar fronteiras que iam além da música. Negro demais para igrejas brancas, branco demais para igrejas negras, como ele próprio dizia, encontrou no som um lugar de encontro. Ali juntou vozes, cores e ritmos que raramente caminhavam lado a lado no cenário evangélico americano.

 

Nos anos 1990, seu trabalho ganhou força ao unir jazz, soul e influências latinas ao gospel tradicional. O resultado foi uma música vibrante, popular e técnica, que falava com diferentes públicos sem pedir licença. O álbum Sing Out, lançado em 1994, é apontado como o auge dessa fase e virou referência no gênero.

 

O velório será realizado no dia 20 de fevereiro, às 11h, na Juda Church, em Orlando, na Flórida, onde o músico congregava.

 

Segundo relatos feitos na live, Kenoly enfrentou resistências em um ambiente religioso ainda marcado pela segregação racial. Igrejas negras preservavam o gospel tradicional e o soul. Igrejas brancas seguiam um estilo mais próximo do contemporary worship. Ele escolheu não escolher e pagou o preço, mas também colheu frutos.

 

Antes da igreja, Ron Kenoly tocou em bares. A virada veio após visitar um irmão preso, quando decidiu dedicar a música à fé. Levou junto a exigência por excelência sonora. Queria que o gospel soasse tão bem quanto o jazz e a soul music que ecoavam nos carros e rádios.

 

Para isso, reuniu músicos de peso do cenário secular, como o baixista Abraham Laboriel, o saxofonista Justo Almário, o guitarrista Paul Jackson Jr. e a percussionista Sheila E. O resultado eram gravações grandiosas, com corais numerosos, orquestra, metais e percussão pulsando como rua cheia.

 

Ron Kenoly cantou em mais de 120 países e tinha planos de ampliar esse número. Mesmo com dificuldades para se adaptar à era digital, manteve o espírito missionário ativo. Nos últimos anos, seu alcance nas redes sociais voltou a crescer com apoio de colaboradores.

 

Casado e pai de filhos, Kenoly deixa um gospel que não separa, não empareda, não escolhe lado. Apenas chama todo mundo para cantar junto.



 
 
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