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Zé entra na canção e abre debate no gospel

  • Foto do escritor: Redação SVM
    Redação SVM
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura
Imagem: Guillermo Giansanti/UOL
Imagem: Guillermo Giansanti/UOL

A nova canção de Marco Telles & Coletivo Candiero virou assunto quente no meio gospel. Fundamentalistas acusam a obra de flertar com religiões de matriz africana. A resposta dos autores segue outra trilha, mais simples e mais funda.

 

Na letra, o Zé que entra não é entidade nem símbolo oculto. É gente. Zé Ninguém. O nome comum de quem quase nunca é convidado. Quando o verso diz que ninguém se acostumou, mas o céu se abriu, a imagem aponta para os excluídos que chegam causando estranhamento. Os mesmos que, na parábola bíblica do grande banquete, inspiração não só da faixa “Auê”, mas de todo o álbum, acabam sentando nos melhores lugares.

 

A música nasce de uma tradição onde fé, poesia, corpo e cotidiano andam juntos. Marco Telles, criado no Nordeste, bebe dessa fonte. O Candiero também. Ali, dançar, cantar e metáfora não afastam Deus. Aproximam.

 

Outro verso criticado fala de Maria, da saia que balança, do corpo que celebra. Para os autores, isso não é profanação. É expressão. Movimento comum, inclusive, no próprio pentecostalismo, onde o corpo sempre participou do culto.

 

Parte do evangelicalismo aceita a fé apenas dentro de um padrão rígido, geralmente importado e pouco brasileiro. Quando aparecem traços populares, nordestinos, afro ou indígenas, a reação costuma ser a demonização.

 

No fim, o debate não é sobre um nome na letra. É sobre quem pode entrar na festa. E quem ainda acha que é dono da porta.



 
 
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