Oficina G3 no Rock in Rio: 25 anos do beijo que travou o público
- Redação SVM

- 12 de jan.
- 2 min de leitura

Faz 25 anos que o Oficina G3 abriu o Rock in Rio tocando pro nada. Era 12 de janeiro de 2001, meio-dia cravado, Palco Brasil ligado e plateia presa do lado de fora. Os portões estavam fechados porque a Globo queria filmar o primeiro fã entrando e beijando o chão para exibir no telejornal. Do outro lado da grade, só seguranças, vento e uma banda obedecendo o relógio.
O baixista Duca Tambasco contou no RC Cast que a primeira música foi inteira dedicada ao pessoal de colete. A Sky já transmitia e não tinha como atrasar. PG confirmou em entrevista ao Inteligência LTDA que foram quatro músicas até o povo finalmente entrar. O G3 saiu do palco com o gosto amargo do desrespeito e nenhuma explicação da organização. Rock in Rio brilhando e os caras engolindo em seco.
Só que o jogo tem dessas curvas. A transmissão da Sky virou sensação e reprisaram tanto o show que superou até o do Guns naquele dia, segundo PG. Era telespectador ligando, fã surgindo e até humorista global brincando que não aguentava mais ver Oficina G3 na tela. O rock cristão, que antes batia em porta de rádio e não entrava, começou a circular em Jovem Pan, Transamérica e afins. Convite pipocando pelo país.
Nos bastidores, a vaga nem era do G3. Era do Catedral. Mas rolou troca de gravadora, treta entre selos e um pedido político envolvendo o governador Anthony Garotinho e o organizador Roberto Medina. A história veio à tona num corte do Miló Podcast com Gustavo Legal, dos Nazaritos. Resultado: Oficina no line, Catedral de fora.
O tempo cuidou do resto. Anos depois, PG pregava numa igreja da Baixada quando um ex-gari do Rock in Rio se aproximou. Disse que trabalhava no festival naquele dia e se converteu ouvindo aquele show sem plateia.
Hoje parece roteiro de filme, mas é só a vida lembrando que vergonha pública às vezes vira trampolim. O Oficina G3 entrou no festival tocando para seguranças e saiu empurrando o rock cristão para dentro das TVs, das rádios e da casa de quem nem sabia que existia. Porque a música, no silêncio ou no caos, sempre encontra quem a beije de volta.








