Super Bowl vira aula cultural com Bad Bunny
- Redação SVM

- há 9 horas
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Bad Bunny transformou o intervalo do Super Bowl em algo além de entretenimento. Em 13 minutos, o artista porto-riquenho entregou o que passou a ser chamado de A Lição de História do Intervalo do Bad Bunny, sem elevar o tom - e sem falar inglês.
O show veio poucos dias após o cantor vencer o Grammy de Álbum do Ano com DeBÍ TiRAR MáS FOToS, trabalho que mergulha na identidade de Porto Rico. Na premiação, ele foi direto ao criticar políticas migratórias, com um recado contra as ações do ICE durante o governo Donald Trump.
No Super Bowl, a estratégia foi outra. Nada de falas explícitas. Os sinais estavam nos detalhes.
Um dos momentos mais comentados foi a entrada do cuatro porto-riquenho, tocado por José Eduardo Santana, antes da participação de Ricky Martin. Em seguida, Bad Bunny exibiu a bandeira azul-clara de Porto Rico, associada ao movimento independentista.
A referência dialoga com o álbum premiado, que cita o educador Eugenio María de Hostos, morto em 1903, defensor da soberania porto-riquenha e da integração das Américas.
A cena mais simbólica veio em tom de delicadeza. Um menino latino apareceu assistindo ao discurso de Bad Bunny no Grammy pela TV e recebeu do cantor uma estatueta. A imagem foi associada ao caso recente de uma criança detida pelo ICE nos EUA, reacendendo o debate sobre imigração.
No encerramento, Bad Bunny desejou “Deus abençoe a América” e listou países do continente, incluindo os Estados Unidos como apenas mais um. O gesto irritou setores conservadores e reabriu a discussão sobre quem pode se apropriar do termo “americano”.
Tudo isso em espanhol, do começo ao fim.No campo do Super Bowl, Bad Bunny mostrou que cultura também joga - e, às vezes, decide a partida.








