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Stryper 40 anos: polêmica, nostalgia e a volta do clássico

  • Foto do escritor: Redação SVM
    Redação SVM
  • há 6 dias
  • 3 min de leitura
40º Aniversário de To Hell With The Devil
Divulgação/Roxx Records

Você já viu muita polêmica envolvendo capa de disco, mas poucas causaram tanta combustão entre cristãos, metalheads e lojistas em geral quanto aquela obra de 24 de outubro de 1986: To Hell With The Devil, do Stryper. Se você visualiza quatro anjos estilo glam metal arremessando o diabo no abismo, um pentagrama tímido se escondendo atrás do logo e até um “resgate do que é nosso”, parabéns, você já entendeu o clima. Para alguns era evangelismo visual; para outros, marketing puro; para a gravadora, provavelmente as duas coisas.

 

Ora, a lenda - crente não reza - diz que o choque foi tão coletivo quanto esse recente que rolou no meio de um ato político em Brasília: do nada, várias lojas ameaçavam tirar o disco das prateleiras. O resultado foi pragmático: uma segunda tiragem com capa preta e título em vermelho. Mais discreta, mais “vendável”.

 

O que ninguém esperava é que o pacote completo renderia prêmios, topo de Billboard, indicação ao Grammy e um “Aleluia!” coletivo no cenário metal de então. Ironias do mercado: o disco que quase ninguém quis vender virou o clássico que quase todo mundo cita de cabeça.

 

Corta para o aqui e agora. O tempo voou, a estética glam virou nostalgia vintage e o álbum completa 40 anos. E quem aparece para reabrir essa ferida sonora? A Roxx Records, que anuncia uma homenagem com título pomposo: Roxx Records Saúda os Soldados Sob Comando no… 40º Aniversário de To Hell With The Devil.

 

A arte acompanha o espírito: inspirada na capa original, define melhor o tinhoso que vive na cabeça do evangélico, abandona o pentagrama (óbvio), mantém o quarteto com os músculos em dia e troca as fraldas glam por trajes romanos (?) no pantone oficial da banda.

 

A gravadora promete um tributo faixa a faixa, começando por Abyss e terminando com a bônus Soldiers Under Command. Tem artista reharmonizando clássico, tem leitura modernosa, tem surpresa e uma dose de devoção ao material original. Segundo o comunicado, ninguém sabia se a galera ia topar o convite, mas a resposta foi “rápida e esmagadora”.

 

O line-up é o tipo de mistura que faria um colecionador entrar em posição fetal de alegria. Olha só:

 

Abyss 2.0 – Ted Gardner

To Hell With The Devil – Reign of Glory

Calling On You – Becoming Sons

Free – Latter Reign

Honestly – German Pascual

The Way – Testimony of Apocalypse

Sing-Along Song – All For The King

Holdin' On – Undoubting Thomas

Rockin' The World – Weapons of God

All Of Me – Seth Metoyer

More Than A Man – Motivik

Soldiers (bônus) – Severed Angel

 

É um cardápio e tanto. A Roxx Records planeja liberar as faixas individualmente até o lançamento oficial do tributo completo, numa espécie de calendário de Advento, só que em vez de chocolate, riffs, falsetes e solos de guitarra.

 

E não seria uma celebração de To Hell With The Devil sem falar de capa. Se o original colocou anjos literalmente batendo no diabo, a nova arte - criada por Juan Carlos Arce, do Lux Studio - parece entender o espírito sem cair na fotocópia. Reimaginação no estilo 2026: menos medo de conservadores, mais confiança visual e um aceno claro à estética que transformou aquele disco numa peça cultural rara.

 

No fim das contas, é quase engraçado pensar que um álbum que dividiu tanta gente virou um ponto de encontro 40 anos depois. Talvez porque o Stryper sempre entendeu uma coisa simples que muita igreja e muito headbanger nunca entendeu: a música salva no mesmo volume, seja com harpa ou com guitarra saturada.

 

Então prepare os ouvidos, limpe o vinil original, revisite as polêmicas e abrace a nostalgia. Quarentão, barulhento e ainda tirando onda: To Hell With The Devil está de volta para lembrar que, às vezes, a melhor forma de evangelizar é ilustrar a tomada da guitarra Flying V do capeta (a Standard com acabamento craquelado ia junto), lançá-lo nas chamas do precipício e ver o que acontece.

 
 
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