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Skillet revisita 30 anos e as feridas de After the Storm

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura
Skillet revisita 30 anos de carreira e fala sobre as feridas por trás de After the Storm
CCM Magazine

Trinta anos depois de sua formação, o Skillet ainda parece contrariar as expectativas sobre quanto tempo uma banda de rock consegue permanecer relevante. Em entrevista à CCM Magazine, John e Korey Cooper, além de Jen Ledger e Seth Morrison, revisitaram a trajetória do grupo, os 20 anos de Comatose e falaram abertamente sobre as experiências que deram origem ao novo EP, After the Storm.

 

John Cooper admite que a própria longevidade do Skillet ainda o surpreende. Para o vocalista, parte dessa trajetória pode ser atribuída à providência de Deus, especialmente diante dos obstáculos enfrentados pela banda durante sua aproximação com o mainstream.


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A fé também esteve no centro da maneira como John decidiu apresentar o Skillet ao público. Quando músicas como “Monster” começaram a alcançar as rádios de rock convencionais, ele não quis esconder a identidade cristã da banda. “Ser cristão é muito mais importante para mim do que ser uma estrela do rock”, afirma na entrevista.

 

Ao lado de John, Korey Cooper aparece como uma das principais forças criativas do grupo. Ela passou a atuar não apenas nos teclados, mas também em programação e produção. Em After the Storm, Korey produziu metade das faixas.


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Jen Ledger, que entrou para o Skillet aos 18 anos, também relembra sua própria trajetória dentro da banda e a influência de John e Korey sobre ela. Seth Morrison, por sua vez, destaca o impacto pessoal de sua convivência com os dois, afirmando que sua vida como pai e marido foi transformada nesse período.

 

Vinte anos de Comatose

 

A entrevista também revisita Comatose, lançado em 2006. Na época, o Skillet enfrentava dificuldades financeiras e trabalhava em meio a uma rotina intensa de shows. John ainda vendia mercadorias, carregava equipamentos e chegou a aprender a dirigir o ônibus da banda. Paralelamente, a situação da gravadora Lava Records se deteriorava, colocando o futuro do grupo em dúvida.

 

O álbum acabou se tornando um dos trabalhos mais importantes da carreira do Skillet. Para Jen Ledger, parte de sua força está na capacidade de criar uma sensação de pertencimento para pessoas que não se sentem vistas ou compreendidas. Korey resume essa característica como uma espécie de “tristeza feliz”: existe esperança nas músicas, mas também uma tristeza subjacente.

 

A tempestade

 

É justamente essa combinação entre sofrimento e esperança que conecta Comatose a After the Storm. Vinte anos depois, o Skillet voltou a escrever a partir de um período difícil, mas desta vez as feridas eram recentes.

 

John cita situações como perda de emprego, depressão, vício, términos de relacionamentos e, especialmente, a traição de pessoas em quem confiava. Parte dessa experiência, segundo ele, veio da própria igreja e de líderes com quem mantinha relações havia décadas.

 

O vocalista afirma ter visto líderes religiosos tratarem pessoas de maneira que considerava extremamente abusiva e relata sua frustração com aqueles que, em sua visão, recusam questionamentos e esperam submissão.


 

Apesar disso, a experiência não levou John a simplesmente rejeitar quem abandonou a fé. Pelo contrário. Ele diz compreender que o sofrimento dessas pessoas pode ter sido real, especialmente quando experiências negativas dentro da igreja acabam sendo associadas à própria ideia de cristianismo. “O sofrimento deles provavelmente foi real”, afirma.

 

Essa tensão entre fé e dor está no centro de After the Storm. John deixa claro que o EP não pretende fingir que tudo está bem. “Não estou bem. Sei que ficarei bem e estou me dirigindo a Deus, dizendo: preciso da sua ajuda”, resume.

 

A faixa “Scream”, produzida por Korey, abre esse novo capítulo abordando isolamento, condenação e a sensação de estar cercado por ruído enquanto se permanece sozinho. Para John, o grito da música é muitas vezes silencioso, vindo de pessoas que sentem que não têm mais motivos para continuar.

 

Musicalmente, o novo material também recupera elementos que remetem a fases anteriores do Skillet, incluindo algumas das texturas industriais associadas à era de Alien Youth. Mas, acima de tudo, After the Storm parece interessado em registrar uma experiência que a banda não tenta suavizar: a possibilidade de manter a fé mesmo quando a dor permanece.

 

A própria metáfora do título resume essa trajetória. Como a entrevista sugere, a história do Skillet não é a de uma banda para a qual a tempestade nunca chegou. É a de um grupo que continuou depois que ela passou.

 
 
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