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Petra: Our Turn Now e a decisão sobre Deus na escola

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Petra: Our Turn Now e a decisão sobre Deus na escola
Reprodução/YouTube

"Boa noite. Aqui é Charlene Lewis para o noticiário das seis. Hoje, 25 de junho de 1962, a Suprema Corte decidiu que a oração e a leitura da Bíblia devem cessar em todas as escolas públicas. É oficial: Deus foi removido das salas de aula dos Estados Unidos da América."

 

Não é uma transmissão real. É a abertura de Our Turn Now, lançada em 1991 pelo cantor cristão americano Carman, em colaboração com a banda Petra. Mas a data é verdadeira e hoje ela completa 64 anos.

 

Em 25 de junho de 1962, a Suprema Corte dos Estados Unidos proibiu, por 6 votos a 1, a oração oficial nas escolas públicas americanas. O julgamento Engel v. Vitale estabeleceu que uma oração promovida pelo Estado violava a Primeira Emenda da Constituição.

 

O detalhe mais irônico do caso: a oração em questão tinha apenas 22 palavras, era propositalmente vaga e não mencionava nenhuma divindade específica. Dizia apenas: "Deus todo-poderoso, reconhecemos nossa dependência de Ti e pedimos Tuas bênçãos sobre nós, nossos pais, nossos professores e nosso país." Os pais ainda podiam retirar os filhos da oração com autorização por escrito. Mesmo assim a Suprema Corte considerou inconstitucional, não pelo conteúdo da oração, mas pelo simples fato de o Estado promovê-la.


Potter Stewart, Juiz Associado Potter Stewart, 1976 / Foto britannica biography
Juiz Potter Stewart, 1976 / Foto britannica biography

O único voto dissidente foi do juiz Potter Stewart, que argumentou que a oração dava às crianças a oportunidade de compartilhar a herança espiritual da nação e que o governo não estaria estabelecendo uma religião ao oferecê-la de forma voluntária. É um argumento que, curiosamente, ecoa até hoje no debate brasileiro sobre o intervalo bíblico. A maioria, no entanto, seguiu o princípio da separação entre Igreja e Estado formulado por Thomas Jefferson. (Fonte: Heimler's History, canal educativo de AP Government, YouTube)

 

Carman e Petra transformaram esse momento numa faixa de rock cristão que virou referência. A letra liga diretamente o julgamento ao aumento da violência, das drogas, da AIDS, do aborto e ao enfraquecimento moral da sociedade americana. A mensagem era clara: Deus havia sido retirado da escola e era hora de a igreja retomá-lo.

 

A história, porém, não seguiu exatamente esse roteiro.

 

A oração oficial continua proibida nos EUA. Mas a influência política do evangelicalismo cresceu como nunca. Em 2026, o governo Donald Trump voltou a incentivar manifestações religiosas em escolas, autorizando professores a participar voluntariamente de momentos de oração em determinadas circunstâncias. A decisão de 1962 permanece válida, mas está sendo disputada.


 

No Brasil, o movimento ocorre em outra direção. Nos últimos meses, vídeos de estudantes reunidos para ler a Bíblia, cantar louvores e orar durante o recreio viralizaram nas redes sociais. Os encontros, conhecidos como intervalos bíblicos, passaram a acontecer em escolas de diferentes estados.

 

Reportagem do G1 publicada em março mostrou que muitos desses grupos surgem por iniciativa dos próprios alunos, prática compatível com a liberdade religiosa garantida pela Constituição. Mas revelou também outra realidade: influenciadores cristãos passaram a promover grandes encontros dentro de escolas públicas, o que levou especialistas a discutir os limites entre manifestação individual de fé e promoção de cultos em instituições do Estado.

 

O debate ganhou um ingrediente revelador quando uma estudante de candomblé relatou desconforto com uma dessas atividades e o caso não foi nem notificado à direção da escola.

 

O episódio expõe uma questão que atravessa os dois países: como garantir que a liberdade religiosa de um grupo não limite a de outro?

 

Talvez seja essa a pergunta que ficou de pé depois de 64 anos. Mais do que discutir se Deus entrou ou saiu da escola, o desafio continua sendo definir como diferentes expressões de fé convivem dentro de um espaço que, por princípio, pertence a todos.


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Vale lembrar que a banda desembarca no Brasil em setembro ao lado do Whitecross para três shows promovidos pela En Hakkore Records.

 

A turnê passa por Curitiba (23/09), Belo Horizonte (25/09) e São Paulo (26/09), com apresentações no Tork n Roll, no Mister Rock e no Carioca Club Pinheiros, respectivamente.

 

Os ingressos estão disponíveis na bio do perfil da En Hakkore Records.

 
 
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