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O álbum que mudou tudo: On the Rock completa 30 anos

  • 29 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

Atualizado: 4 de jan.

O álbum que mudou tudo: On the Rock completa 30 anos

Antes que o calendário vire a página, o aniversário pede atenção. On the Rock, terceiro álbum da banda, completa três décadas. Um disco mais velho do que boa parte do público que hoje se aperta na grade dos shows.

 

Quando foi gravado, em 1995, o CD ainda engatinhava no Brasil e aquele seria o primeiro trabalho do Resgate pensado já nesse formato. Mais importante: marcava a estreia de Paulo Anhaia na produção da banda, rompendo com os dois discos anteriores, produzidos por Edson Guidetti, à época professor de guitarra de Zé Bruno e Hamilton Gomes, e gravados no estúdio caseiro do promissor Rick Bonadio, que também participou nos teclados. A mudança não foi apenas de nome nos créditos. Foi de método, de postura e de identidade.

 

Marcelo Bassa lembra que Anhaia foi direto ao ponto: o som do Resgate não combinava com gravações “quadradinhas”. A solução foi radical para a época e arriscada. Banda tocando junta, ao vivo no estúdio. Bateria, guitarras e baixo acontecendo ao mesmo tempo, como num show, buscando energia antes da perfeição. Um “1, 2, 3, 4” que redefiniu tudo.

 

Foram cerca de três meses de estúdio, com “erros”, como a caixa de bateria piccolo, mais fina que a padrão, justamente na música que pedia profundidade e que, mesmo assim, virou hit, além de acertos e aprendizados. Fitas de rolo, cortes manuais, decisões sem “Ctrl+Z”. Um processo que Bassa descreve no podESQUENTA Podcast como quase pré-histórico, mas que ajudou a banda a entender conceitos fundamentais: pré-produção, arranjos, dinâmica de coro, escolhas sonoras. Pela primeira vez, o Resgate começava a se reconhecer no próprio reflexo.


Nos comentários desta publicação no Instagram, o produtor Paulo Anhaia acrescenta um detalhe técnico importante: o álbum foi gravado em ADAT, um sistema digital bastante utilizado na época.


Reprodução/Facebook
Reprodução/Facebook

O resultado são 13 faixas e uma vinheta-relâmpago, “Tá Aberto Lá? Só pra Sabê”, com Jorge Bruno, que já anuncia o espírito do disco. On the Rock tem peso, ironia e pressão. Conversa com o grunge e o rock alternativo dos anos 90, flerta com um quase hard rock, “quase”, como faz questão de frisar Bassa, e inaugura uma linguagem que não existia nos discos anteriores.

 

Basta ouvir Novos Rumos e, na sequência, On the Rock. Parece outra banda. E, de fato, era. A partir dali, o Resgate começava a construir uma definição musical, uma maturidade, um jeito próprio de dizer as coisas.


 

Entre as faixas está 5:50 AM, que atravessou décadas e segue sendo a música mais conhecida da história do grupo. Papo de Lóki e Fogo usam humor com tensão. A ironia vira ferramenta, marca que Zé Bruno aprofundaria nos anos seguintes.

 

Curiosamente, depois desse disco, o Resgate decidiu mudar de rota e deixou o peso mais explícito de lado. Mas On the Rock ficou. Como divisor de águas. Daqueles álbuns que pedem audição inteira, sem pular faixa.

 

Trinta anos depois, o disco segue respirando. E a banda também. No mesmo período em que On the Rock completa três décadas, o Resgate recebeu sua primeira indicação ao Grammy Latino, com Onde Guardamos as Flores?. Outro marco. Outra dobra na estrada.

 

Talvez não seja coincidência que Fogo, a décima faixa do álbum, fale de ciclos. Meses, dias, repetição. Todo mês é mês de cachorro louco. Todo dia é dia de fogo no cão. Fim de ano também é isso: o que se queima para dar lugar ao que vem.

 

O calendário vira. Mas o incêndio continua. Trinta anos depois, On the Rock prova que o fogo não passa. Ele insiste. Ainda há lenha, e não é o último. Com 2025 ainda nos acréscimos do segundo tempo, o Resgate já tem agenda anunciada até outubro, sinal claro de que a banda segue em movimento. O fogo continua aceso.

 

Solidão e 5:50 AM encabeçam a nossa playlist, seguidas por 10 lançamentos nossos deste ano, das bandas do selo Se Vira Music, e, claro, por uma pá de outras bandas também.

 
 
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