Léo Cordeiro e o caminho até o acústico do Fruto Sagrado

Tudo começou na Igreja Presbiteriana do Mutuá, em São Gonçalo (RJ). Aos 11 anos, Léo começou a estudar violão. Dois anos depois, por volta dos 13, passou a ter aulas com Bênlio Bussinguer, então líder de louvor da igreja e tecladista do Fruto Sagrado. Foi nesse período que Léo acompanhou de perto o surgimento da banda.
Aos 15 anos, por influência de Bênlio, Léo migrou do violão para a guitarra. O músico também lhe apresentou um novo universo sonoro: fitas cassete de Steve Vai, Joe Satriani e Greg Howe, materiais importados por Bussinguer que, naquela época, levavam meses para chegar ao Brasil.
Foi também por meio de uma fita cassete que Léo conheceu outro guitarrista que marcaria sua trajetória. Fábio, seu irmão, havia recebido de um amigo do colégio uma K7 com o ensaio de uma banda, para conferir a qualidade do som. Ao comentar que seu irmão também tocava guitarra, ouviu a sugestão de que os dois deveriam se conhecer.
Fábio entregou a fita a Léo, que ficou impressionado. A princípio, chegou a pensar que estava ouvindo Steve Vai ou Satriani. Curioso, foi atrás do guitarrista na escola. O músico era Bene Maldonado. A banda, cujo nome Léo não recorda, tinha também na bateria Sylas Jr., primo de Bene.
Léo não perdeu tempo. Perguntou se Bene dava aulas e passou a frequentar, todas as sextas-feiras, a casa do guitarrista, na Marambaia. A relação rapidamente evoluiu, e Léo se tornou seu principal aluno.
Quando contou a novidade a Bênlio, recebeu outra surpresa. O tecladista havia justamente aconselhado Léo a procurar um bom guitarrista para dar continuidade aos estudos. Foi então que ele descobriu que o Fruto Sagrado começava a ensaiar com Bene.
A aproximação entre Bene e a banda aconteceu depois de um show na Comunidade S8. Na ocasião, o pastor Ernani Maldonado, pai de Bene e também multi-instrumentista, produtor musical, compositor, arranjador e engenheiro de som, perguntou aos integrantes se gostariam de conhecer seu filho.
Léo chegou ao Fruto Sagrado inicialmente como sub de Bene. Até então, a banda funcionava como um trio e costumava se apresentar com um guitarrista convidado. Léo passou a tocar o repertório dos discos ao lado de Marcão, Bênlio e Flávio Amorim.
Sem YouTube ou qualquer dos recursos de aprendizado disponíveis hoje, o estudo era baseado em fitas, observação e muita repetição. Com Bene, Léo aprendeu técnicas como arpejos e tapping. A orientação era simples e rigorosa: “Até conseguir”.
Quando o projeto de um disco acústico começou a tomar forma, Bene precisou se dedicar ao estúdio de seu pai, e Léo assumiu a guitarra. O álbum começou a ser construído de maneira quase artesanal, semanalmente, na casa de Marcão, no Fonseca, em Niterói. Eram dois violões, um gravador de fita portátil e muitos improvisos em busca de novos desenhos para as linhas melódicas.
As músicas eram testadas gradualmente nos shows. Primeiro uma, depois duas, depois três. Aos poucos, o grupo construiu todo o repertório acústico, registrando as apresentações em diferentes lugares.
Esse material bruto foi levado ao estúdio de Ernani Maldonado (Bene na técnica). A princípio, Ernani foi direto: aquilo não funcionaria como um CD acústico. Mas acabou comprando a loucura.
O processo então ganhou outra dimensão. As músicas foram regravadas em estúdio, com Bene tocando em “Brasil” e “Bomba Relógio”, enquanto elementos de ambiência e interações com o público, captados ao vivo nas fitas, eram entrelaçados às novas gravações.

Léo tinha apenas 21 anos quando participou desse processo. A experiência também se estendeu à estrada: ele acompanhou a turnê do trabalho até 2000, já entrando em 2001.




