Jamie Rowe renasce aos 55 e volta às paradas da Billboard
- 27 de jan.
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Aos 55 anos, Jamie Rowe vive um raro “segundo tempo” no rock. O vocalista, conhecido pelo trabalho com o Guardian nos anos 90, contou ao podcast The Hair Metal Guru sua trajetória do auge à derrocada - e de volta às paradas.
Rowe entrou no Guardian em 5 de julho de 1990, aos 20 anos, após impressionar a banda com uma fita demo. Com dois discos pela Epic/Sony, o grupo emplacou “Power of Love” na MTV e manteve relevância em plena era grunge com “Miracle Mile” (1993), que o cantor definiu como “obra de arte de cima a baixo”.

O Guardian também fez sucesso improvável na América Latina ao lançar um álbum em espanhol. “Não falo espanhol, mas aparentemente minha pronúncia é boa”, brincou Rowe, lembrando show para 85 mil pessoas em Buenos Aires em 2008. Hoje, o grupo mantém cerca de 75 mil ouvintes mensais no Spotify - em maioria latino-americanos.
Quando a banda se dissolveu em 1997, Rowe tinha 29 anos e pouca perspectiva fora da música. “Você vai preencher uma ficha e escreve ‘fiz turnê pelo mundo’. Isso não ajuda muito”, ironizou. Seguiu-se um período “humilhante e deprimente”, com problemas financeiros e energia cortada.
A reviravolta veio via MySpace. Ele aprendeu a programar e passou a gerenciar páginas de artistas cristãos, chegando a receber US$ 5 mil mensais. A habilidade o levou ao cargo de diretor de multimídia na True Tone, onde trabalha há 12 anos.
O retorno ao rock nasceu na pandemia, após um vídeo do Rammstein reacender a velha chama. Assim surgiu o Calamity Kills, em parceria com Jamie Peirano, que bancou o primeiro álbum. O resultado surpreendeu: em 2024, “Starry Skies” e “Afraid” entraram no Top 40 da Billboard Mainstream Rock; a primeira ficou nove semanas nas paradas. “Geralmente, quem veio da era do hair metal não ganha segunda chance”, disse.
Na parte estética, o vocalista também mudou. Rowe perdeu 45 kg em oito meses com jejum intermitente. “Não queria ser o cara gordo nas fotos da banda”, admitiu. O emagrecimento ainda resolveu sinusite crônica e reduziu sua prescrição de óculos.
Sobre fé, Rowe mantém postura aberta. Influenciado por Stryper aos 17 anos, rejeita rótulos. “Tenho algo a dizer e nunca conheci alguém que não fosse feito à imagem de Deus.” A tensão aparece em letras como “Hellfire Honey”, crítica à hipocrisia de cristãos que pregam moralidade enquanto consomem conteúdo adulto. “É sobre o fã-clube de Cristo”, resumiu.
Para o futuro, o Calamity Kills prepara músicas novas para o primeiro trimestre de 2026, incluindo “These Days Are Evil”, além de covers para o YouTube. Já o Guardian discute um compilado e músicas inéditas com a Curb. Rowe diz não ter saudade de gravar para a banda, mas deixa a porta aberta “para retribuir aos fãs”.
Aos 55, Rowe encara a nova fase com leveza: “Enquanto eu puder respirar e minha paixão queimar, vocês ainda vão ouvir falar de mim”, concluiu.



