Ex-baixista do Stryper contesta versão de Sweet sobre saída

Uma história do Stryper que começou há cerca de 40 anos voltou a ser discutida depois de uma entrevista recente de Michael Sweet, vocalista e guitarrista da banda. Tim Gaines, ex-baixista do banda decidiu publicar sua própria versão dos acontecimentos e contestou afirmações feitas por Sweet sobre sua saída e sua participação nas gravações de To Hell with the Devil.
Segundo o músico, alguns dos episódios narrados por Sweet em uma entrevista publicada no YouTube e também em sua autobiografia não aconteceram com ele. Ele afirma que o relato apresentado pelo vocalista seria, na verdade, mais próximo do que ocorreu posteriormente com Matt Hurich, baixista que o substituiu.
“Eu nunca realmente abordei isso publicamente e quero esclarecer os fatos”, escreveu o músico ao apresentar sua resposta. Ele também afirmou esperar que Sweet corrija as informações ou entre em contato com ele.
De acordo com seu relato, Gaines foi demitido do Stryper meses antes de as sessões de To Hell with the Devil chegarem ao estúdio. Para ocupar seu lugar, a banda teria chamado Matt Hurich, integrante do Leatherwolf.
O ex-baixista diz que, naquele momento, sequer tinha ouvido as músicas do álbum. Só voltou a ter contato com o material quando foi procurado pela banda para saber se estaria disposto a retornar para os shows da turnê.
Ele afirma que não participou das gravações de To Hell with the Devil. Segundo o relato, Hurich teria enfrentado dificuldades durante as sessões e acabou sendo substituído pelo músico de estúdio Brad Cobb. Depois que o álbum foi concluído, a banda teria iniciado os ensaios para a turnê, mas Hurich também não teria funcionado como esperado ao vivo.
Foi nesse momento, segundo o músico, que ele recebeu o convite para voltar.
Ele diz que houve pedidos de desculpas e que continuou no Stryper por muitos anos. A volta, porém, aconteceu em cima da hora: segundo sua memória, foram apenas um ou dois ensaios antes de a banda viajar para um grande show no Disney World.
No estúdio de ensaio, em Leeds, Burbank, ele teria encontrado o equipamento de Hurich ainda montado. “Toquei com o equipamento de Matt e aprendi as músicas novas”, relatou.
Versão sobre 'In God We Trust'
Tim Gaines também contesta uma segunda parte da história relacionada ao álbum In God We Trust.
Segundo ele, não participou das gravações do disco porque a banda decidiu tentar recuperar a sonoridade de To Hell with the Devil. Ao mesmo tempo, afirma que não deixou o Stryper durante aquele período e que esteve no estúdio todos os dias durante o processo de gravação.
Ele também nega ter sido novamente demitido durante os ensaios, como teria sido relatado por Sweet em sua autobiografia. De acordo com sua versão, quem deixou o posto naquela ocasião foi Hurich.
“Eu não estava lá, então a história é falsa. Não era eu. Era outra pessoa”, afirmou.
Gaines diz ainda que o capítulo 21 da autobiografia de Sweet apresenta uma narrativa que não corresponde ao que viveu. Para ele, os acontecimentos descritos no livro seriam semelhantes ao episódio envolvendo Hurich, mas com os nomes trocados.
Diferenças no estilo de baixo
Outra questão levantada pelo ex-integrante diz respeito à sua maneira de tocar.
Ele reconhece ter influência do jazz, mas afirma que, como baixista de rock, suas principais referências estavam em músicos mais melódicos dos anos 1960 e 1970. Entre os nomes citados está Dee Murray, baixista que tocou com Elton John, além de bandas como Humble Pie.
Segundo ele, o Stryper procurava naquele momento um baixista com uma abordagem mais direta, baseada em linhas de colcheias e próxima de bandas como Judas Priest, AC/DC e Van Halen.
“Eu sou um baixista de rock melódico”, afirmou.
O músico diz que poderia ter adaptado sua maneira de tocar caso tivesse recebido essa oportunidade durante as gravações. “Posso tocar praticamente qualquer coisa para fazer o disco perfeito”, escreveu. Segundo ele, porém, essa possibilidade nunca foi apresentada.
A explicação que recebeu para sua demissão, de acordo com seu relato, foi que a banda queria alguém que tocasse com palheta, enquanto ele utilizava os dedos.
'Depois de 40 anos, isso não deveria importar'
Ao explicar por que decidiu falar sobre o episódio agora, o ex-baixista reconhece que os acontecimentos remontam a quatro décadas. Ainda assim, afirma que a questão continua tendo impacto em sua vida e carreira porque a história segue sendo contada publicamente.
“Depois de 40 anos, nada disso deveria importar, mas aparentemente importa, porque continua sendo mencionado”, escreveu.
A principal crítica do músico, porém, é dirigida aos entrevistadores que retomam o assunto sem ouvir sua versão.
“Se você quer falar sobre mim, talvez devesse me perguntar, a pessoa que teve que viver tudo isso”, afirmou.
A entrevista de Michael Sweet que motivou a manifestação tem pouco mais de seis minutos. O ex-baixista disponibilizou o vídeo junto com sua resposta para que o público possa comparar os dois relatos. As versões apresentadas pelos envolvidos sobre os acontecimentos, no entanto, são diferentes, e o texto do músico não apresenta uma confirmação independente para os episódios que ele descreve.




