Ed René Kivitz critica machosfera em entrevista
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O pastor Ed René Kivitz, presidente do Instituto Galileia e um dos principais nomes da teologia progressista no Brasil, abriu a série O Menor Encontro de Homens do Brasil, lançada nesta quinta-feira (21) no Canal da Folha. Em conversa com a escritora Tati Bernardi, ele criticou discursos da machosfera, igrejas conservadoras e a teologia da prosperidade.
A produção surgiu como uma resposta bem-humorada ao curso O Farol e a Forja, idealizado pelo ator Juliano Cazarré, que se define como “o maior encontro de homens do Brasil”. Apesar do tom irônico, a discussão partiu de um ponto comum: a sensação de desorientação masculina.
Para Kivitz, o avanço de movimentos ligados à machosfera está conectado a mudanças econômicas e sociais. Segundo ele, muitos homens cresceram acreditando que seu papel dependia da submissão financeira das mulheres. “Sem essa dependência, muitos passam a não saber mais o que significa ser homem”, afirmou.
O pastor também criticou líderes religiosos que usam a Bíblia para justificar desigualdade entre homens e mulheres. Na avaliação dele, esse discurso serve mais à manutenção de poder do que à fé.
Durante a entrevista, Kivitz citou Jesus para rebater frases como “homem não chora”. “Jesus chorou e era financiado por mulheres, sem se sentir diminuído por isso”, disse.
Ele ainda atacou o movimento evangélico Legendário, conhecido por defender um modelo mais rígido de masculinidade. “Jesus estaria dando voltas no túmulo”, ironizou.
Ao comentar a teologia da prosperidade, o pastor afirmou que o evangelho foi transformado em ferramenta de sucesso individual. Para ele, a mensagem bíblica original está ligada à solidariedade e à justiça social, não ao acúmulo de riqueza.
Kivitz também defendeu uma abordagem menos agressiva com jovens atraídos pela Red Pill. Segundo ele, o diálogo precisa começar pela escuta das dores e frustrações desses homens.
No encerramento, reconheceu que setores progressistas também ajudaram a ampliar a distância entre parte da população periférica e a igreja evangélica. “Essa conversa vai ter que ser de coração”, concluiu.




