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Como “Hope” virou o novo álbum do Petra

há 11 horas
3 min de leitura
John Schlitt - Petra
Reprodução/Instagram

2026 para o Petra poderia ter trazido apenas algumas músicas novas para acompanhar produções sobre a história da banda. O projeto, no entanto, cresceu até virar o primeiro disco de estúdio do grupo desde “Farewell” (2005), lançado em janeiro de 2026.

 

A história foi contada pelo vocalista John Schlitt em entrevista a Tim Ristow, para Heaven's Metal Magazine no YouTube. E há um detalhe que ajuda a entender o tamanho que o trabalho tomou: a ideia inicial nem sequer partiu da intenção de fazer um novo álbum.

 

Durante a extensa turnê que celebrou os 50 anos da Petra, realizada ao longo de três anos e meio, estavam sendo produzidos um documentário e um filme sobre a trajetória do grupo. Para essas produções, os responsáveis pediram somente duas ou três canções inéditas que pudessem funcionar como trilha sonora.

 

Era uma encomenda pequena. Bob Hartman, guitarrista, compositor e fundador da banda, tratou de torná-la bem maior.

 

Bob começou a trabalhar no material e, conforme as composições apareciam, o número de faixas aumentava. Foram cinco. Depois, sete. No fim, chegaram a dez músicas.

 

Schlitt percebeu que aquilo já tinha deixado de ser um trabalho pontual. Hartman, nas palavras do vocalista, estava claramente “empolgado” com o processo. Não parecia alguém preparando apenas algumas faixas para um filme e um documentário.

 

O próximo passo, então, era decidir o que fazer com aquele repertório. E a resposta não veio exatamente da indústria.  

 

Uma gravadora chegou a demonstrar interesse em lançar o projeto, mas as conversas não foram adiante. Em outro momento da história do Petra, talvez isso bastasse para colocar o álbum na gaveta. Desta vez, não. Os próprios integrantes resolveram pagar pela produção.

 

Havia uma razão bastante concreta para insistir. Durante os encontros com os fãs, os chamados meet and greets, uma pergunta aparecia repetidamente: quando viria “só mais um álbum”?

 

Schlitt deixa claro que esse público teve peso importante na decisão. O Petra não estava exatamente diante de um mercado fonográfico oferecendo portas escancaradas. Pelo contrário. O cantor afirma que a banda praticamente não recebe espaço de rádio na indústria musical.

 

O disco, portanto, nasceu menos de uma oportunidade comercial do que de uma vontade compartilhada entre músicos e fãs. A banda queria entregar alguma coisa nova para quem continuava acompanhando o Petra há décadas.


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As gravações aconteceram majoritariamente à distância. O baterista registrou suas partes na Argentina. O baixista trabalhou em seu próprio estúdio. Hartman produziu trechos no estúdio dele.

 

Schlitt ficou responsável pelos vocais em outro endereço: o estúdio do tecladista John Lawry. O próprio cantor fez piada com a situação durante a entrevista, lembrando que um vocalista, afinal, “não costuma ter estúdio próprio”.

 

Lawry teve participação especialmente intensa no trabalho vocal. Schlitt compara a cobrança do colega à experiência que teve com John Elefante, produtor de seu primeiro álbum com o Petra, “Back to the Street” (1986).

 

Há uma coincidência curiosa aí. Um John participou da entrada de Schlitt em uma nova fase de sua carreira com a Petra; décadas depois, outro John ajudou a conduzir o processo que desembocou no trabalho mais recente.

 

Produzir “Hope” de maneira independente trouxe também um problema bastante familiar a qualquer músico que precise responder por cada detalhe: não faltou gente para pedir ajustes.

 

O vocalista resumiu a situação dizendo que tinha “quatro chefes”. Com os integrantes envolvidos na produção, cada gravação podia voltar para a bancada. E os vocais voltaram bastante: ele afirma ter regravado cada faixa pelo menos quatro vezes.

 

O curioso é que, apesar da cobrança, o resultado final produziu uma sensação rara para o cantor. Schlitt conta que “Hope” foi o primeiro álbum de sua carreira que conseguiu escutar inteiro depois de concluído sem imediatamente pensar que precisava voltar ao estúdio para mudar alguma coisa.



 
 
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