Bom Combate defende que “punk pode ser o que quiser”
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“Punk pode ser o que ele quiser.” A frase de Leandro Moura, conhecido como Danone, baixista do Bom Combate - e, acreditem, presbítero da Assembleia de Deus em São Paulo / Ministério do Belém - resume boa parte da conversa da banda com o canal Velhos Decréptos. Gravada no antigo local de ensaios dos Deserdados, na zona leste de São Paulo, a entrevista passou por religião, preconceito e pelos limites que a própria cena punk costuma impor.
O Bom Combate é formado por músicos evangélicos, mas faz questão de uma distinção. “Nós não somos uma banda gospel, nós somos uma banda punk, uma banda de punk rock cujos membros são cristãos”, afirma o baixista. O grupo cita o MxPx (banda punk americana) como referência de uma banda que também foi associada ao chamado punk cristão, mas nunca deixou de se entender como punk.
Ainda na conversa com o entrevistador Valdemar, o Danone aproveitou para criticar a relação entre setores do evangelicalismo e a política. Ele questiona o crescimento das igrejas neopentecostais e acusa grupos políticos de enxergarem nas comunidades pobres um eleitorado fácil de mobilizar. Segundo ele, essa crítica está na própria origem do nome Bom Combate.
A visão de Jesus apresentada pela banda também passa longe da imagem de megaigrejas e líderes religiosos. O quarteto fala de um Jesus ligado aos marginalizados de seu tempo e cita a ideia de “dar a César o que é de César”. Nos shows, a proposta não é converter ninguém. A banda diz preferir conversar e apresentar seu modo de vida, sem álcool e drogas, sem transformar isso em julgamento.
Musicalmente, a história começou antes do Bom Combate, com o Pacto Sagrado e uma tentativa de fazer soft rock. A virada veio com “Extra Extra” (katsbarnea), composição que levou o grupo para o punk. A pandemia interrompeu o processo, houve um período de ensaios com violão e cajon e, hoje, a banda soma sete anos de estrada, embora esteja vivendo um período sabático forçado nos palcos.
No fim, Danone amplia a discussão para além da própria banda: “o punk pode ser o que ele quiser: ele pode ser crente, pode ser evangélico, pode ser ateu, pode ser homossexual”. Para ele, o movimento sempre esteve ligado à ideia de derrubar fronteiras.




