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IA transforma livros raros em combustível para algoritmos

30 de jul.
2 min de leitura
IA transforma livros raros em combustível para algoritmos
Imagem: Estúdio Gauche

Durante séculos, livros serviram para preservar conhecimento, atravessar gerações e, de quebra, dar um charme extra às estantes. Agora, ganharam uma função bem menos poética: alimentar inteligências artificiais.


Segundo uma matéria de Frank Landymore, publicada no Futurism, empresas de IA passaram a comprar livros físicos em massa, principalmente exemplares usados e publicados antes de 2022, para desmontá-los, digitalizá-los e transformá-los em dados de treinamento. No caso da Anthropic, revelado em processo judicial, uma máquina hidráulica era usada para separar cuidadosamente as páginas antes do escaneamento em equipamentos industriais.

 

A corrida por esses livros tem um motivo curioso. Enquanto boa parte da internet já está repleta de textos produzidos por IA, os livros impressos da era pré-ChatGPT representam um acervo escrito exclusivamente por humanos. É por isso que a ISBNdb, empresa conhecida por manter um enorme banco de dados bibliográfico, afirma que "os melhores dados de treinamento de IA do mundo estão em uma prateleira". Hoje, a companhia intermedeia pedidos que vão de mil a um milhão de livros e ainda promete manter a identidade dos compradores em sigilo. Afinal, como ela própria admite, "empresa de IA destrói dois milhões de livros" dificilmente seria uma manchete capaz de conquistar o público.

 

Quem está percebendo essa movimentação são os pequenos livreiros. Um deles contou ao 404 Media que suas vendas saltaram de menos de vinte para centenas de livros por semana, quase sempre em pedidos aleatórios de obras com ISBN, muitas delas raras ou esgotadas. O aumento nas vendas ajuda financeiramente, mas deixa um gosto amargo. "Tenho sentimentos contraditórios", confessou. Enquanto o caixa agradece, a ideia de ver exemplares históricos sendo transformados em combustível para algoritmos faz parecer que algumas bibliotecas estão tendo um fim digno de filme distópico.

 
 
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